terça-feira, 5 de julho de 2011

A Nova rede social "Google +"

Não muito bem sucedida em redes sociais a Google cria o "Google +" para competir com o tão famoso Facebook. Segundo o post no blog da empresa essa nova rede social tem como objetivo corrigir as falhas nas presentes hoje:"Hoje, cada vez mais, as conexões entre as pessoas acontecem on-line. Apesar disso, as nuances e a essência das interações do mundo real são perdidos na rigidez das nossas ferramentas on-line. Desta forma básica e humana, o compartilhamento on-line é inadequado. Ou até mesmo quebrado. E queremos consertá-lo." Segundo o vice-presidente sênior de engenharia da empresa, Vic Gundotra, apontou o problema do Facebook: “Os serviços online de hoje transformaram a amizade em fast food – classificam todos os seus contatos como amigos e compartilham as informações da mesma maneira para todos.
Por hora, somente pessoas convidadas poderão testar a plataforma, que ainda está em desenvolvimento. A novidade do Google + é uma melhor organização da forma como você se relaciona com seus "amigos virtuais" e com os conteúdos compartilhados. Esta reorganização é feita através do "+círculos", uma forma de agrupar as pessoas que você relaciona, de acordo com o tipo de interação que você tem com ela. A ideia é selecionar para que grupos você enviará um conteúdo, e não mais a interação de ver o que todos fazem, e mandar para todos o que você posta.
Outro recurso é o "+Sparks", onde você pode receber alerta sobre conteúdos pelos quais você se interesse, assim você pode ver o que todos os usuários disponibilizaram, acerca de um assunto, na rede social.
Além destas formas diferenciadas de interações, o sistema também terá novidades como um sistema aperfeiçoado para compartilhar conteúdos através de celulares, conversas em vídeo e chat em grupos, entre outros. Já está disponível um software do Google+ no Android Market, porém só funciona com usuários já convidados para o teste da plataforma.






Especial mascotes que ajudaram a popularizar as marcas

Para se aproximar dos consumidores, empresas criam personagens que traduzem seus valores de forma amigável e simples

A cada dia traremos um dos 10 personagens selecionados e um pouco da sua história
.

Tigre Tony

Tony The Tiger nasceu em 1952 para promover a marca de cereais Sucrilhos, da Kellogg's. O tigre foi escolhido em uma disputa que incluía, além dele, um elefante, um gnu e uma canguru chamada Katy.

Na década de 60, Tony passou por suas primeiras mudanças visuais, ganhando formas mais arredondadas e um traço mais marcante. Nessa época, o tigre protagonizou o anúncio "Você é um bom caçador de tigres?', premiado em 1964.

Em 1972, a marca Sucrilhos aumenta a família de Tony, que ganha uma esposa. Dois anos depois, no ano do tigre no horóscopo chinês, nasce Antoinette, primeira filha do casal.

Em 1983, uma nova mudança no visual do tigre deixa-o um pouco mais musculoso. O "descolado" mascote passa então a ser usado para incentivar a prática de esporte entre as crianças.

No início da década passada, Tony The Tiger foi considerado pela revista Advertising Age como um dos dez maiores personagens do século 20.

Via: Exame

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Picolé com "Cara" de Celebridade

A agência russa Stoy, desenvolveu uma linha de picolés baseada em dez das figuras mais icônicas da cultura pop mundial, entre eles: Darth Vader, Che Guevara, Mario Bros, Mickey Mouse, Pato Donald, Marilyn Monroe.
A idéia surgiu através de uma experiência de unir personagem ao sabor. Todos eles são feitos com bebidas alcóolicas, manga, rum e até tequila foram os ingredientes escolhidos para a criação.





Nova Campanha da Rider

Para divulgar a nova campanha de reposicionamento da Rider no mercado, a agência Africa lança um novo filme. Com o mote "Para tudo que é novo, novo Rider", apresenta a nova coleção de chinelos para todo o Brasil.O filme, de 30 segundos, estreou durante a transmissão da partida entre Brasil e Venezuela e terá inserções até o final de 2011, em todos os jogos de futebol exibidos pela TV Globo.





Via: http://agenciaafricanews.wordpress.com/2011/07/04/nova-campanha-rider/

domingo, 3 de julho de 2011

As mais premiadas agências brasileiras

O Brasil alcançou seu recorde histórico em número de Leões, 67, dentre eles 6 de Ouro, 24 de Prata e 37 de Bronze. Só não se pode dizer que esta foi sua melhor performance porque no passado o País encerrou sua participação na disputa, em Cannes, com mais Ouros e um Grand Prix (assim como em 2010), tendo, em outros anos, atingindo o segundo lugar entre os mais premiados.
Pelo segundo ano consecutivo e pela terceira vez, a AlmapBBDO sagrou-se The Agency of the Year no Cannes Lions, mesmo sem o GP e a quantidade de Ouros de 2010. E contribuiu muito, evidentemente, para a BBDO ser a Rede do Ano. Entre as agências brasileiras, sua performance foi bem superior à da segunda colocada, a Ogilvy.
Com 28.828 inscrições de 90 países feitas nas 13 áreas do Festival de Cannes de 2011, houve um aumento de 19% no volume de concorrentes em relação ao ano passado (24.242) e se alcançou o recorde histórico da competição (que era de 2008, com 28.284).
Como era previsível, pela quantidade de inscrições e histórico na competição, e foi sendo confirmado à medida que apareciam as listas de shortlists e premiados, a AlmapBBDO foi novamente a agência brasileira de melhor performance este ano, seguida por Ogilvy Brasil, JWT e Loducca.


Veja como ficou lista das mais premiadas no Cannes Lions 2011, um ano de recorde de participação e de resultados em número de Leões de toda a história do Brasil no festival:

AlmapBBDO – 90 pontos (1 Ouro, 8 Pratas, 5 Bronzes e 28 Finalistas)
Ogilvy Brasil – 61 pontos (5 Pratas, 6 Bronzes e 18 Finalistas)
JWT – 40 pontos (1 Ouro, 2 Pratas, 9 Bronzes e 14 Finalistas)
Loducca – 38 pontos (2 Ouros, 1 Prata, 1 Bronze e 16 Finalistas)
Moma – 27 pontos (1 Prata, 3 Bronzes e 13 Finalistas)
Leo Burnett – 26 pontos (1 Prata, 2 Bronzes e 15 Finalistas)
DM9DDB – 24 pontos (1 Ouro, 1 Prata, 1 Bronze e 9 Finalistas)
Y&R – 21 pontos (4 Bronzes e 9 Finalistas)
Z+ – 19 pontos (3 Bronzes e 10 Finalistas)
Giovanni DraftFCB – 12 pontos (1 Bronze e 9 Finalistas)
F/Nazca S&S – 11 pontos (1 Prata, 1 Bronze e 3 Finalistas)
Age Isobar – 8 pontos (2 Bronzes e 2 Finalistas)
Dontrythis – 8 pontos (1 Ouro e 1 Finalista)
Lew'Lara\TBWA – 8 pontos (1 Prata e 3 Finalistas)
Grey – 7 pontos (1 Bronze e 4 Finalistas)
Publicis – 7 pontos (1 Prata e 2 Finalistas)
Talent – 7 pontos (1 Prata e 2 Finalistas)
Artplan – 5 ponyo (1 Bronze e 2 Finalistas)
FSB – 5 pontos (1 Prata)
Babel – 3 pontos (1 Bronze).
Monumenta – 3 pontos (1 Bronze).
New360 – 3 pontos (1 Bronze).

sábado, 2 de julho de 2011

Perfeição artificial

Até profissionais do setor são unânimes em concordar que há abuso na alteração de imagens em propaganda

Giselle Stazauskas

"Atenção: imagem retocada para alterar a aparência física da pessoa retratada”. Este é o aviso que, em breve, poderá aparecer em imagens publicitárias. Isso se for aprovado o Projeto de Lei 6.853/10, em trâmite na Câmara dos Deputados. Seu texto esclarece que as “imagens utilizadas em peças publicitárias ou publicadas em veículos de comunicação, que tenham sido modificadas com o intuito de alterar características físicas de pessoas retratadas, tragam mensagem de alerta acerca da modificação”. A “Lei do Photoshop”, como já foi apelidada, é de autoria do deputado Wladimir Costa (PMDB-PA), e prevê multa de R$ 50 mil para quem não cumpri-la. O projeto será analisado pelas comissões de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática; de Defesa do Consumidor; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. A reportagem de Propaganda não conseguiu ouvir o deputado Costa, mas fica claro que sua proposta é acabar com a falsa idealização do corpo humano, propagada principalmente por fotos de mulheres com pele de boneca e corpos de causar inveja, milimetricamente impecáveis, devido aos retoques feitos em softwares de edição de imagens, como o mais famoso deles, o Photoshop. França e Inglaterra também vão na mesma direção, com a defesa de que imagens com muitas alterações podem levar as pessoas a acreditarem em realidades que não existem, além de fazer com que mulheres e adolescentes sintam-se infelizes.
Apesar de a era digital ter criado recursos capazes de fazer mulheres comuns parecerem deusas, é fato que fotografias sempre foram retocadas, desde muito antes do surgimento do Photoshop. “Antigamente, ninguém sabia como era feito o retoque em laboratório, mas hoje todo mundo sabe que uma imagem é modificada por um software. As pessoas estão mais conscientes”, explica o fotógrafo Ricardo de Vicq. No mercado há quase 40 anos, é ele o autor de boa parte das imagens de divulgação do McDonald’s – a quem atende desde 1993. Sua foto do lanche Big Tasty foi vendida para mais de 20 países, inclusive para fora da América Latina. Vicq só fotografa comida de verdade e é a favor de se utilizar o mínimo necessário de retoques. Segundo ele, já há um movimento que pede imagens mais próximas do real. “Hoje, tudo passa pelo Photoshop para acertos de cor e contraste, mas não tiro e coloco pedaços”.
Celio Coscia, vice-presidente e professor de fotografia do Foto Cine Clube Bandeirante, ressalta essa diferença entre tratamento e manipulação de imagens. “O tratamento de imagens são correções que fazíamos na hora da ampliação, ajuste de exposição, cores e pequenos cortes. Isso sempre foi feito e é normal. Já na manipulação da imagem, as pessoas alteram a fotografia e seu conteúdo. Dentro de publicidade eram feitas montagens para adequar a imagem à mensagem desejada”. Coscia afirma que não é contra a manipulação na propaganda, pois ela trabalha justamente com o imaginário das pessoas para vender produtos. “O que não concordo, mesmo na área de publicidade, é a tal fotografia enganosa, em que alteram o produto, fazendo com que pareça melhor do que é”.
Com relação ao projeto de lei, os dois fotógrafos possuem opiniões distintas, apesar de concordarem com os aspectos negativos dos excessos de retoques em fotografias. Vicq acredita que não é uma obrigação legal que irá impedir a “pele de boneca”, por exemplo – moda que, segundo ele, já está durando mais tempo do que deveria. “As pessoas têm consciência de que as fotos são modificadas, é uma educação que vão adquirindo aos poucos. Saber que são retocadas já é um processo. Elas não acreditam mais em certas propagandas. Silicone também não é de verdade. Vai ter que colocar uma etiqueta indicando ‘modificado cirurgicamente’? Vamos poder corrigir uma olheira ou uma espinha?”. Já Coscia diz que não há problema algum na Lei, pois ela serve para que o consumidor não seja enganado. “Existe um abuso muito grande no uso do Photoshop alterando a imagem física das pessoas. Se repararmos em muitas fotografias, principalmente de mulheres, elas viraram bonequinhas de cera, sem pelos, sem poros. O pescoço é aumentado, rugas somem e até o formato do nariz e dos olhos são refeitos. Em muitos casos, a fotografia publicada é totalmente diferente da modelo contratada. Por isso, sou totalmente a favor da Lei. Obviamente, existem casos e casos, se estamos criando uma imagem lúdica, sem a intenção de lesar alguém, existindo sempre a presença de motivação para atingir os objetivos, não vejo mal algum, como também não vejo nenhum problema em colocar o aviso de que a imagem foi manipulada digitalmente”.

Livre arbítrio

O artista gráfico Daniel Xavier trabalha com retoques de imagens. No seu dia a dia lida diretamente com fotógrafos de todo o Brasil e com agências de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco e Brasília, principalmente, além de já ter atendido até agências da Europa e do Oriente Médio. Ele afirma que não é uma “fábrica de imagens” e nem tem a pretensão de se tornar uma. Seu processo é bastante demorado e ele pode passar até um ou dois dias trabalhando em uma única imagem. “Não concordo com essa Lei. A fotografia publicitária é uma coisa plástica, técnica, perfeita. Tudo é mexido, seja uma pequena correção de cor ou até a junção de objetos e cenas que são tecnicamente impossíveis de serem fotografados juntos. O objetivo é ter uma imagem bonita, perfeita. E isso é feito com auxílio de ferramentas como o Photoshop. Hoje em dia, 100% das imagens e fotos publicitárias são manipuladas. São retocadas e têm detalhes indesejáveis que são removidos, uma sujeira, um defeito. Isso é a publicidade. Não tem como ser diferente. Logicamente que existem exageros, mas não concordo que eles têm que ser regulados por lei”. Como exemplo, Xavier cita os filmes de ação, repletos de efeitos especiais e a maioria, claro, é feita em computador. “Quando você vai a um cinema, as cenas que tiveram algum efeito especial vêm com um aviso: ‘Esta cena foi alterada e não corresponde à realidade?’. Lógico que não. No cinema, assim como na publicidade, tudo é mexido, tem cores alteradas, tem edição, tem dublês etc.” Ele acredita que o livre arbítrio de leitores e consumidores é a base para uma sociedade inteligente e que as pessoas são capazes de ver e interpretar as imagens da maneira que acham mais apropriado.
O mesmo exemplo dos filmes de ação é dado pelo diretor de arte da Talent, Rubens Kato. Segundo ele, o exagero presente em certas imagens não é algo exclusivo da publicidade. Além disso, certos problemas em uma fotografia justificam muito bem o uso em excesso dos softwares. “Acho que existem casos e casos, são várias coisas que influenciam: foto ruim, pele mal maquiada, má iluminação, mau gosto. Mas concordo que há certo exagero no uso da ferramenta, as imagens estão ficando plásticas demais. Acabam ficando muito artificiais. Publicidade é sedução e todo exagero é mal visto, seja no discurso ou na maquiagem”.
José Fujocka, sócio-proprietário da Fujocka Photodesign, trabalha com grandes agências de publicidade, como WMcCann, DPZ, NBS, Mood, Leo Burnett e b!ferraz, entre outras. Para ele, o tratamento de uma imagem depende da finalidade da campanha. “Eu sou a favor do uso excessivo quando a campanha exige isso, por exemplo, numa campanha de carro, em que o nível de acabamento e detalhes de retoques nas imagens é gigantesco. Agora, quando se trata de uma campanha envolvendo modelos ou personalidades, eu sou a favor da moderação. Para mim, as campanhas que deixam os modelos embonecados perdem um pouco de sua credibilidade.” Ele acredita que a “Lei do Photoshop” poderá ser eficaz para imagens relacionadas à estética, nas quais as modelos assumem uma beleza irreal. E vai além, dizendo que esse tipo de trabalho deveria ser banido do mercado para não lesar as pessoas. “Se a ideia é defender o consumidor, esse tipo de retoque deveria ser proibido e não acompanhado de uma advertência. Hoje em dia, as campanhas ligadas à beleza realmente exageram muito. Um xampu, por pior que seja, vem acompanhado da imagem de uma mulher com os cabelos lindos e sedosos, que ninguém tem na vida real.”
Fujocka acredita que, mesmo que a lei “pegue” não trará grandes problemas na venda de um produto. Ele compara a frase de advertência à mensagem que hoje já pode ser vista nas embalagens de alimentos: “imagem meramente ilustrativa”. “Ninguém deixou de comprar uma lasanha ou um panetone mesmo sabendo que o que tem no interior não é igual à foto da embalagem”.


Na contramão do retoque

Apesar de algumas divergências, há praticamente unanimidade entre profissionais do setor de que há exagero no uso das ferramentas de edição de imagens. Atualmente, muitos consumidores já identificam propagandas “enganosas” e até apontam falhas ou absurdos em fotografias, o que pode fazer com que uma campanha vire piada na internet, por exemplo. É o caso do blog Photoshop Disasters (www.psdisasters.com), um exemplo bem humorado de imagens extremamente modificadas por profissionais que “pesam a mão” na ferramenta ou, dito de outro modo, não sabem como utilizá-la adequadamente. Todos os dias, leitores atentos enviam ao blog imagens de mulheres em posições de contorcionistas profissionais, braços e pernas que não saem de corpo algum, montagens mal feitas, erros de perspectiva, pessoas inseridas ou retiradas, nem sempre com sucesso ou em sua totalidade. São casos engraçados, que mostram a falta de bom senso no uso do Photoshop.
O fotógrafo alemão Peter Lindbergh, um dos nomes mais famosos da moda internacional, também se incomoda com o uso excessivo de retoques. Em 2009, publicou uma série de capas para a edição francesa da revista Elle, de belas mulheres como as atrizes Sophie Marceau e Monica Bellucci, e a modelo Eva Herzigova, sem qualquer tratamento de fotografia e também sem maquiagem. Com a repercussão positiva, outras publicações foram na mesma direção, como a Harper’s Bazaar, com imagens não alteradas de Cindy Crawford e Claudia Schiffer, e a revista People, que publicou sua edição das “100 pessoas mais bonitas” com 11 mulheres sem retoques. No Brasil, Isabeli Fontana, Raquel Zimmermann, Raica Oliveira, Luiza Brunet e Marcelle Bittar, posaram para a revista Época também sem maquiagem e retoques.
Kato afirma que não recebe pedidos para usar mais ou menos a ferramenta, mas que percebe uma tendência natural para se utilizar fotografias mais verdadeiras e com pessoas “de verdade”. Como exemplo, ele menciona o caso do banco Santander. “Usamos sempre fotos sem muito tratamento, com clientes e funcionários de verdade, e os consumidores aprovam”. Segundo ele, isso prova que a propaganda, para ser eficaz, não precisa de maquiagem.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

História da Propaganda

A vinda da família real, há 200 anos, lança o Brasil no capitalismo - e dá início a um dos mais vibrantes mercados publicitários do planeta


281mimperio1 historia da propaganda História da Propaganda   A Publicidade também chegou com Dom João fotosA chegada da família real portuguesa ao Rio de Janeiro, em março de 1808, é um marco sob vários aspectos. Foi a senha para a abertura dos portos brasileiros ao comércio exterior, para a implantação do primeiro banco da colônia e para a instalação das primeiras instituições de ensino de nível superior. Com dom João, o Brasil nascia como país. E como mercado.
Em meio à onda de novidades que desembarcaram com os nobres lusitanos, do florescimento do comércio à intensificação da vida em sociedade, eis que surge a publicidade. Os anúncios de produtos e serviços passaram a existir formalmente no Brasil com o primeiro jornal escrito e impresso no país, a Gazeta do Rio de Janeiro, editado pela Imprensa Régia a partir de setembro de 1808.
A data exata do nascimento é motivo de divergência entre estudiosos do assunto. Um grupo defende o dia 10 de setembro, quando circulou a primeira edição do jornal, com um anúncio de dois livros publicados pela própria Imprensa Régia. Como se tratava de uma comunicação feita pelos editores do jornal, a maioria dos estudiosos despreza esse anúncio e aponta outro como precursor, publicado uma semana depois. Em um singelo texto de quatro linhas encimadas pela palavra “Annuncio”, Anna Joaquina da Silva oferecia “uma morada de casas de sobrado com frente para Santa Rita”. À parte a polêmica, o fato é que, com a Gazeta, o país passou a ter seu primeiro veículo para a divulgação de mensagens publicitárias — o Correio Braziliense, publicado em Londres desde março de 1808 e tido oficialmente como o primeiro jornal brasileiro, não publicava anúncios. “Até a Gazeta, a única forma de publicidade que existia no Brasil eram cartazes rudimentares escritos a mão e os pregões dos comerciantes nas ruas”, diz José Roberto Whitaker Penteado, um dos autores do livro Propaganda no Brasil — Evolução Histórica, editado pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).
COM SEU MODESTO ANUNCIO no estilo dos classificados, o país entrava timidamente em um universo que já fervilhava em outros países. Na Inglaterra, os primeiros anúncios foram publicados nos jornais em 1650. Nessa época, um diário de Londres tinha em média seis anúncios. Cem anos depois, em 1750, já eram mais de 50 por edição.
No início do século 19, jornais ingleses, como a London Gazette, anunciavam companhias de navegação, peças teatrais, corridas de cavalos, serviços de médicos e dentistas e produtos como a Tinta em Pó de Holman — “um tablete dissolvido em água rende 1 pint (568 mililitros) de tinta”, dizia o fabricante. Segundo escreve o historiador Peter Burke em seu livro História Social da Mídia, a Tinta em Pó de Holman, patenteada em 1688, foi provavelmente o primeiro nome de marca de um produto a aparecer numa peça de publicidade.
Nos Estados Unidos, ainda divididos nas 13 colônias originais, o primeiro anúncio foi publicado em 1704, no jornal Boston Newsletter — curiosamente, também um anúncio imobiliário, referente a uma propriedade em Long Island, perto de Nova York. Em 1729, ao comprar o Pennsylvania Gazette, na cidade de Filadélfia, Benjamin Franklin, um dos pais da nação americana, destinou várias páginas do jornal ao que chamava de new advertisements. Ali eram anunciados basicamente serviços de artesãos e comerciantes e o movimento dos navios nos portos americanos. Nessa época, as grandes cidades da Europa e da América do Norte experimentavam aquilo que Burke define como “nascimento da sociedade de consumo”.
No Brasil, fenômeno parecido só aconteceu depois da segunda metade do século 19, com o país já independente de Portugal. Segundo o professor de história do Brasil na Universidade de Paris-Sorbonne, Luiz Felipe de Alencastro, o principal catalisador do consumo no país foi o fim do tráfico internacional de escravos, proibido pela Lei Eusébio de Queiroz, em 1850. “Nesse período do império, pelo menos um terço do comércio exterior do país estava ligado à importação de escravos. Com a proibição, os antigos traficantes passaram a se dedicar à importação de outros bens, no caso produtos de consumo e novidades produzidas nos países industrializados”, diz. O comércio de escravos tinha papel de destaque na publicidade — os jornais da época anunciavam características físicas e de comportamento de homens, mulheres e crianças à venda, divulgavam a chegada de novos lotes ao país, davam pormenores sobre as etnias comercializadas e comunicavam fugas.
Os anúncios eram tão detalhados que o antropólogo Gilberto Freyre os usou como principal fonte de referência para seu livro O Escravo nos Anúncios de Jornais Brasileiros do Século 19, um dos primeiros estudos históricos a tomar a publicidade como base de análise. Com o fim do tráfico, o espaço destinado aos anúncios relativos a escravos passou a ser, aos poucos, ocupado por outros, voltados para as novidades que começavam a chegar ao país.

NO INICIO DA SEGUNDA METADE do século 19, o porto do Rio de Janeiro era um dos mais movimentados do mundo. A cidade era parada obrigatória tanto dos navios que se dirigiam da Europa ao Pacífico Sul como dos que iam da costa leste dos Estados Unidos para a Califórnia. “Muitos aventureiros que levavam produtos para vender nessas regiões aproveitavam a parada no Brasil para se capitalizar”, diz Alencastro. Eram comuns nos jornais da época anúncios feitos por comerciantes de passagem pelo país que ofereciam tecidos, cosméticos, roupas, medicamentos e artigos de uso doméstico. Da mesma forma, era grande a oferta de serviços de profissionais liberais recém-chegados ao país, como médicos e dentistas de origem inglesa, francesa ou alemã (que vendiam também elixires milagrosos e pós dentifrícios). Entre as novidades anunciadas nos jornais da então capital imperial estavam papel de parede, sorvetes, charutos, cavalos de corrida, dentaduras, relógios de bolso e pianos — o artigo de luxo mais cobiçado pela elite brasileira. “Os pianos eram considerados um prodígio de tecnologia, uma espécie de BMW da época”, diz Alencastro.
A publicidade passou a ter papel pedagógico em um país que começava a se inspirar na sociedade européia como modelo de modernidade — principalmente em relação à divulgação de novos padrões de comportamento e à apresentação de aparelhos e produtos até então desconhecidos. “A propaganda passou a ter um papel civilizatório”, diz Roberto Duailibi, presidente da agência de publicidade DPZ. Não por acaso, aparecem entre os principais anunciantes da época os fabricantes de produtos farmacêuticos, sabonetes, perfumes, lâminas de barbear e produtos alimentícios industrializados. Os anúncios tinham caráter nitidamente explicativo. “É aquilo que em marketing chamamos de demanda primária, ou seja, a etapa em que é necessário criar novos hábitos e ensinar o consumidor a usar produtos que desconhece”, diz Roberto Corrêa, professor da ESPM e organizador do livro A Propaganda no Brasil. Era o que faziam nos últimos anos do século 19 negociantes como Frederico Figner, que em 1892 convidava, por meio de anúncios nos jornais, a população carioca a conhecer a “máchina que falla” — um gramofone. O mesmo se repetiria alguns anos depois com o cinema, então chamado de omniographo.
Desde os primeiros prelos trazidos pela comitiva de dom João, a tecnologia esteve estritamente ligada ao desenvolvimento da propaganda no Brasil. O crescimento dos jornais por todo o país em meados do século 19 levou à sofisticação da maneira como os anúncios eram produzidos e vendidos. A primeira agência de publicidade brasileira surgiu, em 1891, para atender a uma demanda que exigia a contratação de profissionais especializados em escrever e ilustrar os anúncios. A incorporação de novidades como o uso de cores, a fotogravura e os clichês metálicos, no início do século 20, e a chegada das primeiras agências multinacionais americanas inseriram o Brasil no contexto publicitário internacional — ainda hoje a publicidade brasileira emula tendências e procedimentos criados nos Estados Unidos. O surgimento das revistas ilustradas de grande tiragem, no início da década de 50, deu novo impulso aos anúncios publicitários em cores. Foram esses anúncios, com seus slogans e seu refinamento estético, que marcaram o início da propaganda moderna no Brasil e abriram caminho para a chegada da televisão. “A história da publicidade segue basicamente a história da tecnologia. A cada novidade que surge, a propaganda se reinventa, como aconteceu com a era do rádio, a era da televisão e agora a era da internet”, diz Nizan Guanaes, presidente da agência Africa. “E isso acontece no Brasil, nos Estados Unidos e em qualquer lugar do mundo.” Na essência, porém, a publicidade brasileira hoje segue o mesmo princípio de 200 anos atrás: aproveitar as melhores oportunidades de comunicar um produto a um mercado, seja uma “morada de casas”, seja um carro flex.
281mimperio historia da propaganda História da Propaganda   A Publicidade também chegou com Dom João fotos 
De escravos a automóveis
A evolução da propaganda, do primeiro anúncio à publicidade de massa.
1808O primeiro anúncio, referente à venda de um imóvel, é publicado na Gazeta do Rio de Janeiro.
1809A escravidão torna-se tema recorrente na publicidade brasileira.


1838Surgem nos jornais do Rio de Janeiro os anúncios de produtos farmacêuticos importados, como o Elixir de Boubée e o Elixir do Dr. Guillié. Os laboratórios se tornariam a partir de então os maiores anunciantes do país.

1875
Chegam ao mercado brasileiro — e aos anúncios de jornais — produtos como Farinha Láctea Nestlé e Emulsão de Scott.

1891
É fundada em São Paulo a primeira agência de propaganda do Brasil, a Empresa de Publicidade e Comércio, que funcionaria até 1915.

1900
A indústria gráfica passa a usar novas tecnologias, como litografia e fotogravura, modernizando a apresentação dos anúncios e abrindo espaço para o lançamento das revistas ilustradas.

1910
Anúncios de marcas como Antarctica, Singer, Brahma, Gillette e Mappin Stores aparecem em revistas como O Malho, O Tico-Tico e Fon Fon.
1920
O escritor Monteiro Lobato cria campanha publicitária com o personagem Jeca Tatuzinho para o Biotônico Fontoura.
1929A agência americana J.Walter Thompson abre sua filial em São Paulo para atender à conta da General Motors e inicia um grande processo de modernização da publicidade brasileira.
1935A McCann Erickson abre seu escritório no Rio de Janeiro para atender à conta da Standard Oil e sua marca Esso.

1945
A publicidade se consolida no país e o primeiro Anuário de Publicidade contabiliza 32 agências em funcionamento no país. Os maiores anunciantes do ano são RCA Victor, General Electric, General Motors, Pan American World Airways, Philips e Ford.

1950-2008Na década de 50, a publicidade reflete a transição do país agrário para o país urbanizado e industrial. A chegada da televisão e novos meios de comunicação lançam as bases da propaganda moderna nos padrões como conhecemos hoje.

Daniel Hessel Teich